Da paisagem à arquitectura com Marília Viegas

 

Marília Viegas tem-se dedicado largamente à gravura, pintura e desenho expondo desde 1964.

Presentemente a exposição «Arquitecturas Como Memória», onde apresenta somente pintura revela uma alteração relativamente à imagem mais corrente da sua pintura: a paisagem. O recurso às manchas de cor (como aliás também acontece na gravura), que era tão característico da sua pintura, aparece agora totalmente integrado em enquadramentos de arquitectura, tomando-se desta forma as obras mais enigmáticas, por vezes com qualquer coisa de perturbador. Uma arquitectura com referências ao litoral algarvio, particularmente de Vila Real, reconstrói-se dentro de um certo fantástico onde o isolamento e a solidão são quebrados momentaneamente por nevoeiros de cor. Um pouco fria esta pintura, é no entanto reveladora de uma orientação diferente, integrando a «figura» e a mancha em cenários desabitados.

(Galeria S. Francisco até 30 de Março).

Cristina Azevedo Tavares

Jornal de Letras, 26 de Março de 1991