«A pintura de Marília Viegas parece (e aparece) formulada em torno de uma noção de espaço em profundidade, partindo de arquitecturas que não existem. O que esse espaço nos propõe é uma espécie de olhares em "plano fixo" para dentro de perspectivas onde a memória do real se transforma fundamentalmente numa memória da ficção.

«Cada plano já foi viagem, cada arquitectura já foi história; mas o que importa de tudo isso é o olhar dirigido a um ponto de fuga que não tem horizonte, é o trajecto que nunca será cumprido entre neblinas, é a impossibilidade de distinguir o que alguma vez terá sido real do que continua sendo ficção.»

«Dispondo de mobilidade do seu imaginário (da sua visão, das suas próprias memórias), o espectador é forçado à imobilidade da pintura, dividido por uma distância ao mesmo tempo ilusionista e ilusória.»

Rocha de Sousa